domingo, novembro 07, 2010

Tolerância tem limite

Pode dizer que sou nova, que a maturidade vai chegar e me fazer morder a língua mil vezes. Não ligo. Não me importo. Não acredito. Deve ser a rebeldia da idade.

Tolerância parece ser a palavra certa. Em tudo e em todos cabe um pouco mais de compreensão. Em casa, no trabalho, na escola, na festa, na rua. Com os amigos, os amores, os pais, os irmãos, os filhos, os chefes, os funcionários, os professores, os alunos. Mas tolerar é diferente de agüentar e, para mim, neste sutil e enorme detalhe os valores se desvirtuam.

Pais acumulam empregos numa procura incessante por sucesso profissional e são incapazes de perceber a tristeza no olhar de abandono dos seus filhos. Empregadores desvalorizam seus funcionários, esquecem que estão envolvidos na rotina de pessoas e não de máquinas. Maridos e esposas colocam em risco a magia da família que tiveram a oportunidade de construir.
"Irmãos" e irmãs ignoram a certeza de que eternos mesmo são apenas os nossos laços de sangue.

E é neste ponto que entra em cena a minha rebeldia. Eu tolero. Eu não agüento.

Não me imagino fingindo ser burra, ignorante, cega, surda, muda e analfabeta para manter minha vida social intacta. Como lidar com o descaso, a desvalorização? Como viver de ilusões, de mentiras?

Pode arriscar me tratar mal. Pode deixar faltar atenção, carinho, companheirismo, lealdade. Pode tentar me fazer de boba. Pode se contentar com uma vida sem mim.

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