Das dores que trago é a saudade a mais dolorida. Dói mais que dor de dente, que pedra no sapato, que unha encravada, que estômago faminto e dor de parto. Dói mais e não tem remédio disponível no mundo que a faça melhorar. Não há nada que, em curto prazo, possa ser feito para que a dor seja mais amena. Saudade dói e muito. Dói de rasgar o peito, de sangrar o coração. E quando a gente pensa que pode escapar dela... Já era! Não tem jeito, ela sempre chega sem avisar e custa a ir embora.
Somos saudosistas por natureza. Quem nunca ouviu dizer que no tempo dos nossos pais tudo era diferente? Ou que antigamente era mais tranqüilo sair às ruas? Quem nunca sentiu saudade de alguém especial que não iremos ver nunca mais? Sentimos saudade porque não podemos voltar no tempo, porque não temos controle sobre o destino. Sentimos saudade porque somos apegados, porque sentimos falta de algo que um dia tivemos, mas hoje não está mais ao alcance de nossas mãos.
Saudade é um não saber que incomoda a alma, que atormenta o sono. É uma constante busca em vão. É um vazio repleto de sentimentos que nos acompanha aonde quer estejamos. E nas idas e vindas a carregamos conosco, deixando sempre um rastro por onde passamos.
Estamos habituados a querer sempre o ponto final em tudo na vida, mas a saudade insiste em sempre ser apenas um ponto e vírgula. Engana-se quem pensa que ter saudade é ter apenas um sentimento qualquer. Sentir faz parte do ser humano, mas sentir saudade é para poucos.
sexta-feira, maio 08, 2009
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