Desigualdade. Pronto. Acabo de resumir o grande mal do mundo.
Violência, pobreza, doenças, fome, guerras são somente subgrupos.E todos esses subgrupos estão dentro do grupo maior: a desigualdade.
Toda vez que paro pra pensar em situações rotineiras existentes na vida de todos nós, me dá tristeza. Muita tristeza.Dá pra imaginar que passamos todos os dias na frente de pessoas que moram na rua?
Elas moram na rua, entendeu? Elas não têm casa e não tem o mínimo de qualidade de vida para se viver.
A gente passa por elas como se fossem cachorros abandonados. Não. Corrijo. Às vezes percebemos os cachorros abandonados.
Mas essas pessoas, não. Fingimos que não enxergamos a grande desigualdade que nos rodeia. E continuamos a viver a nossa vidinha penosa de sempre. Trabalha-se o mês inteiro. Recebe-se um salário que como o próprio nome diz, é mínimo.
Com ele você paga conta de água, luz, telefone, comida, e pronto!
Acabou!
O consumismo toma conta e você estoura o cartão de crédito, faz dívidas e a vida se torna um ciclo vicioso.
Trabalha para pagar as contas de necessidade básica e alguns supérfluos.
Você continua passando por pessoas que possuem muito menos que você como se nada acontecesse.
Enquanto de um lado os magnatas jogam dinheiro no lixo com noitadas e diversas coisas inúteis, do outro lado, existe você: que trabalha o mês inteiro e corre atrás do que quer, encontrando muita dificuldade no caminho. Vai levando, e vencendo algumas. Vivendo da melhor forma possível, passando por cima da desigualdade que te rodeia, até que chega uma hora que cansa!
Que começa a enxergar tudo de errado que está a sua volta. Até que começa a olhar para o “umbigo alheio” ao invés de olhar somente pro seu. Sabe porque você começa a fazer isso? Porque tudo pra você começa a dar errado. Egoísta da sua parte não?
É. Talvez sim. Talvez não.
Você conhece um amigo de um amigo que tem um primo que conhece um fulano que tem uma mesada de R$ 15.000,00 aos 25 anos de idade. Que mora sozinho em uma bela cobertura. Que gasta com o que quer, a hora que quer. Que viaja quando bem entende pra onde quiser. É uma realidade impossível de enxergar não é? Mas é uma realidade muito mais freqüente do que imaginamos.
Você tem um sonho. Estudar. Estudar. E estudar. (por exemplo) Você tem fome de conhecimento e gosta, realmente, gosta de estudar.Quando vê a possibilidade desse sonho terminar você começa a enxergar todos os sonhos terminados ao seu redor.
Você precisa de dinheiro para continuar estudando. É. Os mesmos R$ 2.000,00 que o fulano gastou mês passado dando uma festinha para preencher o vazio da sua vida monótona. Você não tem esse dinheiro. E esse dinheiro é a porta para que seu sonho continue caminhando.
Quando você pensa na hipótese de fechar essa porta, o que sente?Pois é. Você começa a enxergar os sonhos que estão com as portas fechadas ao seu redor.
Quais serão os sonhos da criança que te pede um “trocado” no sinal de trânsito?
Quais serão os sonhos do senhor que fica sentado na calçada pedindo dinheiro pra comer?
Quais serão os sonhos de quem dorme na rua e sente frio no inverno?
Quais serão os sonhos do ladrão que roubou sua bolsa semana passada?
Quais serão os sonhos das pessoas que estão longe da família lutando sabe-se lá porque em guerras sem fundamento?
Quais serão os sonhos das pessoas que morrem de fome e não possuem nenhuma chance de sobreviver?
Agora você pensa nisso... Porque o seu sonho pode acabar a qualquer momento.
A criança no sinal de trânsito, o velho na calçada, o ladrão, o soldado na guerra, e as pessoas que morrem de fome acham você um sortudo!
Porque as coisas que você têm de repente tornariam o sonho delas uma realidade.
Você acha o fulano que ganha de mesada R$ 15.000,00 por mês um sortudo.
Porque isso resolveria os seus problemas e tornaria seu sonho, novamente uma realidade.
Desigualdade. Pronto.
Acabo de resumir o grande mal do mundo.Violência, pobreza, doenças, fome, guerras são somente subgrupos.
E todos esses subgrupos estão dentro do grupo maior: a desigualdade.
sexta-feira, novembro 14, 2008
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