sábado, outubro 25, 2008

Até quando?

Um tempo atrás estava assistindo ao Profissão Repórter, na Globo. Sempre que posso eu assisto, pois é um dos melhores programas semanais que a emissora possui. Além do mais, tenho uma admiração enorme pelo Caco Barcelos, acho ele competente no que faz.

Não sei se alguém viu, mas foi um dos temas mais fortes do programa desde que comecei a assistir. Bebês morrendo ao nascer e/ou nascendo sem mãe pela falta de infraestrutura nos Hospitais públicos. Enquanto assistia as reportagens me perguntava em voz alta:

- Como pode este país permitir um absurdo desses?

Foi difícil para mim ver mães chorando a perda de seus bebês, como também foi difícil para mim ver bebês mortos empacotados num freezer. A única coisa boa disso tudo é que ainda não esqueci do que eu vi. No diak, adormeci com aquelas imagens e semblantes tristes no pensamento. E acordei pensando no que eu poderia fazer para não ver isso novamente. É incrível a sensação de impotência que sinto, dói.

Dois dias antes das eleições, alardeava que meu voto seria nulo. Me senti uma idiota. Voltei a acreditar no meu voto e analisei cada uma das gentilezas e propostas desses candidatos. Se isso não resolver temos que deixar nossa permissividade de lado e ir às ruas. Mas nada de silêncio, nada de camisetas brancas, nada de chororô. É preciso que sintam a nossa repulsa, nossa vontade de justiça como há mais de 10 anos atrás. Podemos deixar de lado o conformismo. É só pararmos de reclamar e agir.

São bonitos os textos que leio pelos blogs a fora. É fácil reclamar, criticar quando estamos no conforto do nosso lar, nos protegendo do frio debaixo de um cobertor, com uma comidinha gostosa. Mas o que está sendo feito por trás da tela? Temos que acordar, gente!

E eu me incluo em tudo isso. Eu faço parte de uma geração que não grita mais, que só se choca e em poucos dias esquece. Eu não sou hipócrita, mas não quero esquecer, não quero ter a memória curta. Não quero.

prontofalei.

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