sábado, agosto 16, 2008

SOLIDÃO AMIGA DO PEITO

Dizem que o diabo mora nos detalhes.

M-e-n-t-i-r-a! Deus mora nos detalhes. O diabo mora é no vazio.

Não naquele vazio que Drummond achou que era falta, ausência. Felizmente ele descobriu em tempo de nos ensinar que esse era apenas um "estar em si". Não naquele que Nietzsche tomou por companheiro. Não naquele fundamental, transcendente e quase terapêutico que faz a gente se perguntar se Sartre não estaria certo quando disse que o inferno é o outro...

A casa do diabo é aquele vazio que ocupa todo o espaço que a gente dá e ainda nos toma o restinho que sobrou, o que a gente não daria, se pudesse. É o vácuo que responde pelo nome que chamarmos e que se alimenta basicamente do que a gente pensa que é bom, alheio a verdade indigesta de que a vida real quase nunca é tão boa quanto a imaginação.

As vezes estar junto é - diabolicamente - uma forma de solidão. Não é um bom álibi se esconder de si mesmo no outro!? Isso não é comunhão. Entendo melhor agora o que se passa com a gente... e comigo, perto de mim e sempre tão longe de tudo...

* inspirado numa crônica de Rubens Alves, em " Um Mundo Num Grão de Areia"

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