Eu já vi algumas das pessoas que mais amo indo embora. Quando nem tinha idade para entender o que a morte significava, vi meu tio simplesmente desaparecer da minha vida. Perdi na minha mente a sua imagem nítida, ficaram apenas alguns detalhes, como as costas largas que muitas vezes ja me carregaram e as maos fortes que me viravam de cabeça pra baixo. Mãos das quais eu tentava em vão me livrar. Lembro também de quando o vi indo embora. Apesar de acreditar que isso não aconteceria nunca, pois ele havia prometido, eu o vi ir, sem despedidas. Ficou a mágoa, o rancor, a dor e a revolta de uma criança que recém aprendia a entender a vida. Anos depois o perdoei. Anos depois me perdoei. Na adolescência, quando já havia aprendido que a morte era a perda permanente, a ausência constante, vi um amigo ceifar a própria vida, aprendi que coisas banais, também levam pessoas que amamos. E mais ainda, aprendi que a imagem, que a máscara que colocamos muitas vezes está tão bem colocada que esconde a realidade dos sentimentos.
Eu mesma vi a morte de perto. E aprendi que a vida valia a pena. Numa dessas brincadeiras que o destino prega na gente. Uma prova. A prova dos nove.
A vida escorre por nossas mãos sem nos darmos conta. Apesar de hoje acreditar que o fim não é o fim, apenas um recomeço, nunca irei me acostumar com a idéia da morte. Ainda acho que meus pais serão eternos. Ainda penso que eles sempre estarao aqui, até depois de mim. Desejo pra meus amigos vida longa. Eterna. Do tempo suficiente pra fazer tudo que quer. Alias, pessoas que amamos deveriam nunca correr risco de vida.
Mas correm, um risco banal. Porque no fundo toda morte é banal. Algumas mais que as outras. Hoje pela manhã, vi uma criança ver a morte de perto. E eu tive medo. Medo que não desse tempo. E me bateu o desespero de pensar que a vida é frágil, um detalhe. Apenas isso. Agora esta tudo bem. Mas o medo, o mal estar, ainda esta aqui. E acho que esse nunca mais vai embora. Porque no fundo é tudo banal. É tudo detalhe. E a gente tem que cuidar de cada detalhe. Sempre. Não estou preparada para ver mais ninguém partindo.
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p¹: o tio do qual comentei no texto completaria 54 anos no ultimo dia 3 =/
Abraços
quinta-feira, dezembro 06, 2007
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Um comentário:
Aiin cara, que triste isso.
Me fez lembrar do meu tio tbm q se foi...foi a pessoa q eu perdi q mais doeu...e ainda dói.
Mas a gente continua neh?!
Luv you! ;**
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